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Vila Isabel mistura ijexá e jongo na Gravação do Samba de 2027

A Unidos de Vila Isabel trabalhou a diversidade rítmica e a valorização das referências Afro-Brasileiras para construir a Gravação Oficial do Samba-Enredo para o Carnaval 2027. Inspirada no universo de “Torto Arado”, livro de Itamar Vieira Junior, a Obra recebeu um arranjo que explora diferentes possibilidades musicais, com destaque para as alternâncias entre ijexá e jongo. A proposta conduz a melodia por mudanças de andamento e de levada, especialmente no Refrão do meio, em uma construção que buscou dialogar com a narrativa do Enredo e com a Identidade Musical da Escola de Noel. Mestre de Bateria, Macaco Branco explicou que a concepção do Arranjo começou com a leitura da Obra Literária que inspira o Desfile. A partir desse contato com a história, o trabalho foi desenvolvido em sintonia com a melodia do Samba, explorando possibilidades rítmicas sem perder de vista as características da Composição.

“Eu li o livro, que é a história de ‘Torto Arado’, de Itamar Vieira Junior. A gente brinca com os Arranjos, tudo dentro da melodia, do que o Samba pede, nas divisões rítmicas da Obra. No Refrão do meio, fizemos uma brincadeira com o ijexá. A gente faz um Ritmo de ijexá, que tem uma pegada de Samba de Roda. Depois, faz um 6/8, que é um Ritmo Afro, remetendo à ancestralidade, a tudo o que chegou da África e faz parte da nossa musicalidade brasileira. Os arranjos foram todos pensados conforme a Temática, com essa brincadeira do ijexá e as Divisões da Melodia do Samba”, explicou.

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Foto: Juliane Barbosa

Na Gravação do Samba-Enredo Oficial, a expectativa da Equipe era apresentar uma interpretação marcada pela energia e pela imersão na história que a Vila Isabel pretende levar à Avenida.

“A energia, a alegria e a imersão de contar a história de ‘Torto Arado’ através da Vila Isabel, na narrativa de Santa Rita Pescadeira. Tenho certeza de que a Vila Isabel, com esse Carnaval, vai fazer um grande Carnaval para, se Deus quiser, trazer o título para a nossa comunidade do Morro dos Macacos, de Vila Isabel”, declarou Macaco Branco.

Bateria explora Jongo e diferentes afinações dos Surdos

Além das escolhas para o Arranjo, Macaco Branco adiantou elementos que a Bateria pretende explorar na Gravação. O andamento definitivo ainda seria definido em conjunto com o Diretor Musical, Douglas Rodrigues, e o Intérprete Tinga, a partir da avaliação da melhor condução para valorizar a obra. Entre as propostas para a Bateria, o Mestre destacou a utilização de referências ao Jongo e a exploração das afinações dos Surdos. A ideia é acompanhar as mudanças rítmicas previstas para o Refrão do meio, criando uma construção que dialogue com as imagens e os elementos evocados pelo Samba.

“Vamos brincar com o Ritmo do jongo, fazer uma intenção das pedras que cantam, que são as pedras lá da Chapada Diamantina, brincando com as afinações do Surdo. Vamos fazer uma subida com uma divisão diferente, que é uma coisa que o Samba pede. E, no Refrão, quando voltar o Refrão do meio, a gente brinca ali com o Ritmo do jongo, depois vira um 6/8, depois volta o 6/8 e vira um ritmo do Jongo de novo”, detalhou.

Para Macaco Branco, participar de mais uma Gravação Oficial representa a oportunidade de levar o nome da Escola para um dos momentos importantes da preparação do Carnaval. O Mestre destacou o sentimento de representar a Vila Isabel ao lado dos Ritmistas.

“É muito gratificante poder estar aqui representando a minha escola junto com os ritmistas da Unidos de Vila Isabel”, afirmou.

Douglas Rodrigues e Tinga unem experiência e renovação

À Frente da Direção Musical, Douglas Rodrigues avaliou de forma positiva o processo de preparação para a Gravação. O Profissional destacou o desafio de trabalhar a Composição e ressaltou que o resultado foi construído com dedicação e envolvimento de toda a Equipe.

“Está sendo maravilhoso. Eu adoro desafios. Tive essa situação do Samba, mas deu tudo certo. Tudo com muito amor, tudo com muito carinho, muita magia, e é isso: rumo ao topo”, declarou.

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Foto: Juliane Barbosa

A Parceria com Tinga também foi apontada como um dos pontos importantes do trabalho. Douglas destacou a capacidade de reinvenção do Intérprete e a troca entre Profissionais experientes, que procuram atualizar as ideias sem abrir mão da sintonia construída ao longo dos anos.

“O trabalho com o Tinga é uma situação bem legal, porque ele está sempre se reinventando, sempre traz coisas novas. A gente é da antiga, mas a nossa cabeça está se atualizando. A gente se entende, se encontra, se olha, vai se falando e chega ao que a gente quer”, explicou.

Douglas contou que a Direção Musical passou a ser uma função Oficialmente consolidada em sua trajetória em 2022, embora já desempenhasse atividades relacionadas à área anteriormente. Outro aspecto destacado pelo Diretor foi a composição da Equipe Musical da Vila Isabel, formada majoritariamente por pessoas que construíram suas trajetórias dentro da própria escola e mantêm uma ligação antiga com a comunidade.

“Todo mundo é de casa! A maioria foi na barriga da mãe. Eu, o Tinga, temos os três filhos dele, que são o Breno, o Henrique e o Tinguinha (saiu da Escola). Tem o Yanique, que veio de Herdeiros. Tem a Clara, que veio de Herdeiros. Tem o Caio, que veio de Herdeiros. A base de Herdeiros da Vila está toda ali. Tem o Juan, que veio de Herdeiros”, contou.

A presença de Integrantes formados no ambiente da Escola reforça a conexão entre a Equipe responsável pela Música e a Comunidade que dará voz ao Samba nos Ensaios e no Desfile. A proposta Musical, nesse contexto, também é resultado de uma construção coletiva, reunindo Profissionais que compartilham a vivência na Agremiação.

Direção de Carnaval destaca preparação dos Segmentos

Diretor de Carnaval da Vila Isabel, Moisés Carvalho ressaltou que a Gravação Oficial representa uma etapa importante do planejamento para o desfile. Segundo o Dirigente, o trabalho envolveu uma semana de Ensaios para preparar a Comunidade e os Segmentos que participaram da Produção.

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Foto: Juliane Barbosa

“Gravação de Samba é sempre importante. É daí que a gente começa a trabalhar a Comunidade, os Quesitos, o Casal e a Comissão de Frente. Passamos uma semana ensaiando e fazendo o nosso dever de casa, e hoje vamos colocar em prática aqui tudo o que ensaiamos. Mestre Macaco Branco, Douglas, Tinga, os Compositores… Estamos prontos. É um belo Smba”, afirmou.

Moisés também destacou o significado de participar de mais uma etapa de preparação da Escola em seu décimo ano à frente da Direção de Carnaval. Para o dirigente, o momento mantém a expectativa característica do início de um novo ciclo e abre caminho para a apresentação da Obra à Comunidade.

“No décimo ano à Frente da Vila, na Direção de Carnaval, acho que é sempre importante ter aquele friozinho na barriga. É uma continuidade do trabalho, um pontapé inicial. Logo na sequência, vem o dia 28 de setembro, que é um marco para a gente, com a Comunidade toda cantando e interpretando essa Obra linda. Estou feliz com mais um trabalho”, declarou.

10nota10.com / Redes Sociais / Vila Isabel – RJ

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