O Álbum dos Sambas-Enredo da Série Ouro para o Carnaval de 2027 vai soar diferente. O disco da Liga RJ aposta em uma sonoridade mais próxima do ao vivo e o formato que resgata os discos antigos das Escolas de Samba: a primeira passada de cada Samba chega com a Bateria mais leve, e a segunda, com os Ritmistas a pleno vapor. A proposta, segundo o Produtor Macaco Branco, é fazer o ouvinte se sentir dentro de uma Quadra.
“Vai ser uma pegada mais próxima do ao vivo e, entre aspas, Retrô. Daquela época em que a gente fazia a primeira passada do Samba mais leve, e a Bateria vinha mais pesada na segunda”, explicou.
Na primeira execução, o Destaque vai para os arranjos de Harmonia e para um coro “bem pesadão”, que facilita o entendimento da letra. Na segunda, entram as Bossas, as paradinhas e os desenhos preparados por cada Mestre de Bateria. Para o produtor, é aí que aparece a identidade sonora de cada Agremiação.
“O legal é quando você ouve e se sente dentro daquilo, fazendo parte daquele Projeto”, disse.
Padrão comum, Identidade própria
O processo começa antes de qualquer Gravação, em reuniões entre Macaco Branco e Maurício, com quem divide a concepção do disco. É nesse momento que se define a Estética Fonográfica e um padrão comum a todas as faixas, repassado depois às Escolas e aos Arranjadores. A ideia é evitar discrepâncias, como um Samba com três passadas e outro com uma, ou um alusivo longo ao lado de um curto.
“Nossa função é fazer um produto comercial, mas sem perder a essência de cada escola”, resumiu.
Os alusivos, aliás, ficaram a critério das Agremiações. Algumas manterão introduções tradicionais; outras usarão aberturas que valorizem o Enredo. Os Arranjadores, conta o Produtor, trabalham em diálogo com os Diretores Musicais e as Direções de Carnaval de cada Escola.
Depois das reuniões, cada Agremiação vai ao Estúdio para montar a guia com os Arranjadores, que gravam as Harmonias. Em seguida, os Mestres levam os Ritmistas para gravar a Bateria. Na semana seguinte, é a vez do carro de som e do Intérprete principal. Quando o Enredo pede, entram instrumentos de fora da formação tradicional, como Acordeom, Atabaques e Timbal. Por fim, o material passa por Edição, mixagem e Masterização, e só segue para as Plataformas digitais depois de aprovado em audição pelo Presidente da Liga RJ. A data de lançamento está marcada para 29 de outubro.
Sonho do coro da Comunidade
Confiante, Macaco Branco não economiza na expectativa: “Pode ter certeza: vai ser um dos melhores Álbuns de todos os tempos”.
Mas, ele admite que ainda há um passo a ser dado. Seu desejo é, um dia, levar a Gravação para dentro das Comunidades.
“Fazer um corão ao vivo, com pelo menos 50 a 100 vozes da Comunidade, e gravar com a Bateria ao vivo, com uns 50 a 80 Ritmistas. A ideia é sempre passar o máximo de imersão, uma pegada bem ao vivo e, ao mesmo tempo, muito bem mixada”, projetou.
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