O Samba ocupou as ruas de São Paulo neste domingo (18) para defender a Democracia e manifestar apoio ao Presidente Lula. A Frente Progressista do Samba reuniu Integrantes de Ecolas de Samba, Artistas, Dirigentes e representantes da cultura popular em um Ato que começou no Largo da Banana, na Barra Funda, e colocou em evidência a relação histórica entre o Samba, a resistência e as Lutas Sociais. Mestre Ciro, da Gaviões da Fiel; o Cmpositor Aquiles da Vila; Victor Santos, Carnavalesco do Vai-Vai; e Fábio Gouveia, Carnavalesco da Dom Bosco de Itaquera, defenderam a Mobilização dos Sambistas e a participação política para além das Quadras e dos Desfiles. Entre as principais pautas, estiveram a defesa de direitos conquistados, o combate à intolerância e a importância de manter viva a memória das lutas que marcaram a trajetória do Samba.

Mestre Ciro defende posicionamento do Samba
Representando a Gaviões da Fiel, Mestre Ciro afirmou que participou do Ato em defesa da Democracia e criticou a normalização de discursos e comportamentos que considera incompatíveis com os valores Democráticos.
“Participei pela Democracia. Encontrei muita gente conhecida, muita gente querida que luta por esse mesmo ideal. Temos que varrer qualquer sombra que não seja a de um país democrático. O samba tem esse papel, e estou aqui fazendo a minha parte”, declarou.

Para o Mestre de Bateria, a mobilização representa uma reação ao período em que, na avaliação dele, parte da sociedade passou a tratar como normais atitudes que exigem contestação.
“Acho que essa Mobilização ficou meio adormecida, e as pessoas começaram a normalizar absurdos na sociedade, como falas e atitudes absurdas. Estava na hora de haver esse levante. Esse foi o momento de nos Mobilizarmos para assegurar que o Samba tem lado, sim, que o Samba é de esquerda, sim, e que o Samba é da Democracia”, afirmou.
Ao comentar a expectativa em relação à Disputa Eleitoral, Mestre Ciro demonstrou confiança: “Estou confiante. Vamos virar essa p#”.
Aquiles da Vila relaciona Ato à Resistência histórica do Samba
O Compositor Aquiles da Vila ressaltou que a Frente Progressista do Samba nasceu da iniciativa dos próprios Sambistas e rejeitou a interpretação de que o movimento represente um confronto com as Escolas. Segundo ele, a Mobilização busca defender as Agremiações, a Cultura Popular e a Democracia.

“O movimento nasceu justamente em prol da Democracia. Há alguns dias, ouvi alguém dizer: ‘Vocês estão afrontando as Escolas de Samba’. Não, muito pelo contrário, estamos defendendo as Escolas de Samba. O movimento partiu dos próprios Sambistas, então está tudo certo. É um movimento muito bonito, que busca preservar tudo aquilo que aprendemos e entendemos sobre o samba”, disse.
Aquiles relacionou a Manifestação à trajetória de quem enfrentou perseguições para garantir espaço às novas Gerações.
“Quando comecei, fui buscar naturalmente as raízes e entender como as coisas aconteceram. Se hoje eu, você e todos nós estamos aqui, como sempre digo, para tocar nosso pandeirinho, é porque muita gente lá atrás deu o lombo para apanhar, para que pudéssemos estar aqui. É uma luta. O Samba é resistência”, afirmou.

O Compositor defendeu que a mobilização continue depois das eleições, tanto nos posicionamentos cotidianos dos sambistas quanto nos Enredos apresentados pelas Escolas. Ele citou a Mocidade Unida da Mooca e outras Agremiações como exemplos de iniciativas que abordam questões sociais e políticas.
“A Frente Progressista do Samba é ampla e aceita todo mundo que está defendendo a rua, as Escolas de Samba, os Blocos e, de maneira geral, a Democracia do país. Espero que consigamos multiplicar esse movimento cada vez mais. Mais importante do que isso, quero que, quando as eleições acabarem, continuemos lutando diariamente por meio dos Enredos das Escolas de Samba, que são fundamentais”, declarou.

Aquiles também destacou as manifestações de InIegrantes de Escolas nas Quadras e nos Ensaios de Rua, citando iniciativas da Mocidade Alegre, da Rosas de Ouro e do Império. Para ele, a articulação permite que os Sambistas se expressem mesmo quando não há um posicionamento institucional de suas Agremiações.
“Talvez minha Escola não possa se posicionar por determinadas questões, mas nós podemos vir aqui, formar um Grupo que nos represente e fazer ‘esse L’, especialmente em defesa da Democracia. Foi muito bonito, e estou muito feliz por isso”, afirmou.
Victor Santos defende compromisso com os mais vulneráveis
Carnavalesco do Vai-Vai, Victor Santos afirmou que o Ato não se limita ao apoio a Lula, mas representa, em sua avaliação, uma Mobilização pela Democracia e pelos direitos de Grupos historicamente marginalizados.

“Eu não preciso explicar que, antes de ser pelo Lula, é em prol da Democracia. O Samba, enquanto movimento, sempre foi perseguido desde a sua origem, e não poderia ser diferente. O samba tem lado, e esse lado é o da Democracia, dos mais pobres, dos oprimidos, dos pretos e das mulheres”, declarou.
O artista relacionou esse posicionamento à identidade do Vai-Vai e à própria trajetória profissional.
“Eu, como Carnavalesco de uma Escola majoritariamente preta e formada por pessoas mais humildes, não poderia adotar uma política diferente. É a política da minha vida: olhar sempre por aqueles mais desfavorecidos pela sociedade. Estou aqui em nome do Vai-Vai, da minha consciência de classe e da minha consciência humana”, afirmou.

Victor também comentou a decisão de alguns Dirigentes de evitar Manifestações políticas públicas. Sem condenar essas escolhas, defendeu a autonomia dos Sambistas para expressar suas convicções e ressaltou a presença de representantes de diferentes Agremiações.
“Às vezes, temos dirigentes que não se preocupam com essa questão ou preferem adotar uma política de isenção. Cada um tem seus motivos, e não estou julgando isso. Mas o Sambista sabe o lado que precisa apoiar e a posição que precisa tomar. Nós tomamos esse partido, e o povo do Samba está aqui hoje, independentemente de Escola, Bairro ou Pavilhão. O Samba está unido hoje em prol da Democracia”, disse.

Ao encerrar, o Carnavalesco recorreu à trajetória de resistência do Samba para demonstrar esperança diante dos desafios sociais.
“Para o Samba, nunca foi fácil, porque sempre fomos marginalizados. Para o povo brasileiro, também nunca foi fácil. Podem tentar impedir tudo, mas a primavera sempre chega, o sol sempre nasce de novo, e seguimos firmes e fortes”, concluiu.
Fábio Gouveia destaca herança ancestral
Carnavalesco da Dom Bosco de Itaquera, Fábio Gouveia destacou o papel dos Profissionais do Carnaval na preservação da memória e das histórias do povo brasileiro. Para ele, a Manifestação representa um compromisso com a herança cultural deixada pelas Gerações anteriores.

“É muito importante nós nos colocarmos nesse lugar, no lugar de entender a nossa importância enquanto Sambista, e não só como Sambista, mas de quem conta as histórias do povo brasileiro. Então, o trabalho que a gente está fazendo aqui hoje, esse trabalho de manifestação, essa marcha, fala da nossa história, do que a gente é, do que a gente herdou dos nossos ancestrais”, afirmou.
Gouveia também alertou para a necessidade de defender as conquistas sociais e impedir retrocessos. Na avaliação do Carnavalesco, Artistas que contam a história do país por meio dos Enredos têm responsabilidade em se posicionar diante dessas questões.

“Estar aqui para esse levante é mais do que um dever de cada Sambista, de cada Profissional do Carnaval, é uma obrigação nossa falar das nossas dores, de tudo aquilo que pode voltar a nos afligir. Nós lutamos tanto para chegar até aqui e é impossível, é inviável perder tudo o que nós conquistamos”, declarou.
O Artista ressaltou que a experiência de construir Enredos e narrativas sobre a sociedade brasileira reforça a consciência sobre as lutas que precisam ser preservadas.

“Nós, enquanto Artistas que construímos histórias de Carnaval, de Escola de Samba, de Enredo, sabemos muito bem do que nós estamos falando, da luta do dia a dia e do que a gente não pode deixar acontecer”, concluiu.
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