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O Carnaval que ninguém vê: arte, tecnologia e silêncio no coração da Sapucaí

Com um belíssimo e grandioso espaço de 10 mil metros quadrados, o Porto Maravalley é o novo hub tecnológico instalado pela prefeitura do Rio de Janeiro na Zona Portuária, concebido para ser um espaço de encontro entre cultura, educação, negócios e tecnologia. E, de fato, às vezes, até mesmo o que parece arte centenária pode esconder novas tecnologias e inovação. É neste clima que o público acessa a exposição de fotografias que transforma a passarela do samba em poesia visual: “O Carnaval que Ninguém Vê, O Encanto da Arte Fotográfica na Marquês de Sapucaí”, de Riccardo Giovanni. Das 66 peças do acervo original, a mostra reúne uma seleção de painéis impressos em telas canvas.

Ao entrar no grande salão, o visitante se depara com obras que traduzem com rigor o que o projeto busca revelar: detalhes de maquiagens e materiais, assim como a emoção do espetáculo, a respiração antes do primeiro passo na avenida, o grito, e o grito que ainda não foi dado. Cada imagem convida à pausa e à contemplação – como se o tempo parasse ali, congelado no instante. É nessa tensão que mora a força da exposição.

Segundo Giovanni, “muitos dos elementos fascinantes da apresentação estão escondidos e por trás das lentes, em uma complexa combinação de planejamento, dedicação, estudo, precisão técnica e tecnologias para permitir que cada imagem possa existir e cada momento, celebrado”.

Fruto de um trabalho quase decenal, o projeto rompe com os formatos tradicionais da fotografia carnavalesca. Aqui, o foco vai além da estética do evento e se concentra também na humanidade dos bastidores.

Giovanni, formado em engenharia, para criar esse resultado desenvolveu um método próprio, que une tecnologia de captura – um processo de separação de cores, impressão calibrada e suportes de exibição de alta engenharia. E explica: “ fotografar o Carnaval com esse nível de detalhe, exige enfrentar desafios extremos – movimentação rápida, luzes irregulares, multidões e uma paleta infinita de cores, figurinos e maquiagens”.

Para vencê-los, o fotógrafo criou técnicas de captura e processamento, que envolvem desde equipamentos exclusivos até rotinas de calibração de cor específicas pelos materiais escolhidos pela impressão.

“A partir do momento em que a foto é tirada, passando pelo processo de impressão e terminando em como as imagens podem ser admiradas, diversas tecnologias, antigas e modernas, trabalham em conjunto para presentear o público com uma nova maneira de apreciar os desfiles do Carnaval – como uma forma de arte em si“, explica Riccardo.

O processo é meticuloso. As imagens são capturadas durante os desfiles com equipamento mecânico, adaptado para ambientes de baixa luminosidade e grande movimentação. Na etapa seguinte, o artista aplica uma técnica pessoal que transforma toda a cena em preto e branco, preservando apenas uma cor original da fantasia ou da maquiagem – a mais marcante. O resultado é uma fotografia com apenas três cores: os tons neutros do preto e branco, característicos do acervo, e um destaque único, que guia o olhar do espectador.

São momentos que não passam por retoques: imprimem a realidade, registradas com uma nitidez incomum – resultado da combinação entre engenharia, sensibilidade artística e, acima de tudo, uma admiração genuína pelo talento e pela paixão dos participantes do Carnaval. Ao se aproximar das fotografias, revela-se a surpreendente precisão do trabalho de Riccardo.

Com definição milimétrica, é possível até enxergar, por exemplo, os holofotes da Sapucaí nos olhos dos personagens. O detalhamento é tão preciso que transforma cada olhar em um espelho da emoção, fazendo da imagem um retrato expandido do desfile. No salão, as luzes do espaço são suaves, e o silêncio convida à admiração. A cada passo, o visitante se aproxima de rostos anônimos, e verdadeiras expressões capturados com rigor técnico e sensibilidade artística raramente vistos.

Não há batuque nem gritos de arquibancada. O que há é silêncio – e o som de um samba distante que chega pelo celular, acionado por um QR code embutido em placas de aço. QR codes posicionados junto às obras permitem que o espectador ouça, no próprio celular, o samba que tocava no exato momento em que a imagem foi feita, no momento refletido nos olhos daquela noite. Esse cuidado transforma a experiência em algo sensorial, expandido e vivo.

E não haveria lugar mais apropriado para acolher uma proposta tão inovadora quanto o Porto Maravalley. Instalado no coração da região portuária, o hub une cultura, tecnologia e educação, criando o cenário ideal para uma mostra que desafia os limites da fotografia e propõe uma nova forma de ver – e sentir – o Carnaval

A exposição, que está aberta ao público até o fim do ano, com entrada gratuita, fica na Avenida Prof. Pereira Reis, 76, Santo Cristo, no Rio de Janeiro.

Redes Sociais/Crédito das fotos: Riccardo Giovanni

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