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Rafael Esteves

Rafael Esteves – Advogado, Músico, Compositor e Escritor

Apesar da meia idade, em 2025 eu completei 41 anos de Sapucaí.

Eu vivi diversos enredos ao vivo como Kizomba, Ratos e Urubus, Tupinicópolis, Paulicéia desvairadas, os multicampeonatos da Imperatriz, dentre muitos outros.

Hoje, com o advento das redes sociais, o tema da vez são os enredos afros x o progressismo de ideias capitaneadas pelo Grande Paulo Barros, de quem já admito ser grande fã.

Acontece que o Paulo Barros deu uma declaração sobre o grande número de enredos afros do ano de 2025 e ai por questões políticas algumas pessoas passaram a criticar os enredos afros, inclusive com o argumento de que a sapucaí virou Macumba, o que fez uma musa “evangélica” desistir de desfilar pelo Salgueiro, ora vejam só.

Sem querer entrar nesse mérito de explicar a influência afro no samba, uma vez que o grande Luiz Antônio Simas já explicou com muita propriedade, o que me incomodou foi o argumento de que 10 escolas tinham temas afros, excluindo Mocidade e Vila Isabel, e que era tudo a mesma coisa.

Ouso discordar com todas as vênias possíveis. E tenho provas de quem quem não entendeu e achou tudo igual somente não gosta de carnaval ou não prestou a devida atenção.

Inicialmente ouvi que faltou nesse carnaval homenagens a pessoas e ai já mato quatro coelhos com uma cajadada só porque a campeão homenageou o grande mestre Laíla, que era uma pessoa muito ligada à sua religião e a Portela homenageou Milton Nascimento e também trouxe o lado religioso do compositor.

A UPM contou a história de contou a história de Iyá Nassô, uma princesa africana escravizada que enfrentou a repressão imperial, celebrando o Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho, o mais antigo templo afro-brasileiro ainda em funcionamento.

O Paraíso do Tuiuti trouxe a história de Xica Manicongo, a primeira mulher trans documentada no Brasil, que foi trazida do Congo e escravizada em Salvador, e é uma figura marcante de resistência e luta por identidade e liberdade.

Faltou homenagear lugares, cidades, etc… A Mangueira contou uma história do Rio de Janeiro, da importância da cultura banto que chegaram na cidade pelo cais de Valongo e deixaram sua marca na língua, culinária, artes, música e literatura.

Não tem mais cultura popular, não tem mais folclores… O salgueiro trouxe Salgueiro de Corpo Fechado que abordou rituais de proteção espiritual de diversas culturas, ontando os rituais de proteção de diferentes culturas, como africanas, indígenas e cariocas.

Não seria interessante um enredo sobre lendas? A Imperatriz trouxe uma lenda da viagem de Oxalá ao reino de Oyó para visitar Xangô, inspirado na sabedoria ancestral dos itãs, que são contos sagrados e parábolas de sabedoria, mergulhando na mitologia dos orixás, que são divindades africanas.

A Tijuca trouxe a história de Logun-Edé, o Santo Menino Que Velho Respeita, homenageando o orixá filho de Oxum e Oxóssi. Com menção a diáspora de Logun-edé da savana africana para Salvador e Rio de Janeiro.

A Viradouro contou a história de joão Batista, o Reis Malunguinho, um líder quilombola que após sua morte, foi alçado a condição de entidade de três mundos, caboclo indígena, mestre juremeiro e um exú trunqueiro, e modéstia parte, foi a história que mais me agradou.

Por fim a Grande Rio de Caxias, com Pororocas Parawaras: As Águas dos Meus Encantos nas Contas dos Curimbós. Que propôs uma viagem pelas águas do Pará, celebrando as tradições e belezas da região abordando manifestações culturais afro-brasileiras como o tambor de mina.

Sinceramente são histórias completamente diferentes umas das outras e cada uma com sua peculiaridade, com seu grau de especificidade e que prenderia a atenção de qualquer espectador que tivesse vontade de entender as histórias.

Ao meu ver, se fossem 10 histórias que de certa forma envolvessem culturas nórdicas, gregas, egípcias, hindús ou budistas, teriam mais receptividade dos críticos pelo embranquecimento da cultura.

Precisamos deixar de lado este olhar antiquado de que a cultura africana é do mal.

No carnaval carioca tem espaço pra tudo, das bruxas em caldeirões e Michael Jackson do Paulo Barros, a essência e força de ReisMalunguinho, passando pelas mil e uma noites de Marrocos, a vida de Ayrton Senna, Luiz Gonzaga e Lampião.

A cultura não tem limites.
Salve a Cultura Negra, aliás, Salve a Cultura !
Axé. Saravá.


Ahhhh…. A Marquês de Sapucaí…

São 700 metros de sonhos, samba, suor e lágrimas.

A mágica começa bem antes, com a montagem da estrutura, som, bares, frisas e mais, empregando milhares de pessoas, alimentando diversas famílias de baixa renda para que aqueles que se submetem a pagar ingressos caros possam desfrutar do bel prazer dos desfiles das escolas.

O maior espetáculo da terra é de uma antinomia sem igual, onde podemos encontrar filas de turistas do exterior aglutinados no sedento desejo de ingressar no palco do maior espetáculo da terra, lado a lado com um morador de rua catando latinhas que os mesmos jogam ao chão na entrada.

Semblantes antagônicos entre a fome e a sede, peles brancas em roupas caras contrastando com a melanina negra suja esgueirando meios-fios e lixo, mas que fazem questão de sorrir ao ver um gringo falando outra língua.

Já na parte interna, os desejos são desajustados, enquanto o povão mendiga aos cambistas, amigos que trabalham na avenida ou diretores de escola por ingressos para os desfiles, os gringos e bacanas pagam caro em camarotes apertados e superlotados para as fotos instagramaveis.

Talvez hoje essa seja a maior dicotomia marquesal: Do lado de dentro da pista foliões que entretêm os camarotes multilinguísticos e do outro o poderio financeiro que quando olham pra pista, divertem-se com a ralé pulando ao som de samba descartável enlatado.

Vez ou outra, um famoso em epopéia, abraçado aos do povo, surge em posição privilegiada com roupas que custam uma moradia popular, dando um ar de humildade ao intocável do ano inteiro.

Músicos consagrados passam para ser aplaudidos pelo povão pois agora invadiram o espaço do velho malandro compositor, que só tinha como justiça de vida, seu samba ecoar na avenida, mas vão perdendo espaço aos escritórios poderosos… os Rambositores da São Clemente…

Some-se a tudo isso os novos sambeiros de Facebook, que instigam a rivalidade entre as escolas como os times de futebol fazendo com que eles se digladiem nos posts gerando likes valiosos àqueles.

Essa antinomia vai paulatinamente sugando a essência do carnaval.

Poucos sentem o frio na espinha quando a sirene toca e o esquenta começa….

A….. tenção Sapucaí…..

Não deixem o samba morrer….

Que a antinomia dê lugar a sinergia….

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