O intérprete Pixulé, do Paraíso do Tuiuti, destacou a relação histórica entre Samba, Política e Resistência durante a manifestação “O samba não se cala”, realizada na tarde desta segunda-feira (12), nos Arcos da Lapa, no Centro do Rio. Presente no Ato em apoio à Reeleição do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Cantor afirmou que a defesa da cultura foi uma das principais motivações para sua participação e relacionou a história do Samba à luta da população negra contra a perseguição e a discriminação.
Pixulé também cantou o Hino Nacional durante a Mobilização e comentou a emoção de participar do Ato. O Intérprete demonstrou confiança na Reeleição de Lula e brincou com a possibilidade de voltar a cantar o hino na cerimônia de posse Presidencial.
“É uma importância muito grande, porque o Lula é um Presidente que olha pela cultura, e hoje estou aqui pela cultura. Esse povo todo está aqui hoje em prol do Presidente Lula, é pela cultura. A importância é muito grande”, afirmou.
Um dos momentos marcantes da participação do Cantor foi a escolha de um trecho do Samba-Enredo do Paraíso do Tuiuti de 2018 para acompanhar a abertura do Hino Nacional. Pixulé relacionou a mensagem da Obra à Conjuntura Política brasileira e destacou a história de sofrimento da população negra escravizada, presente na Composição da Escola.
“Ele fala do que o negro sofreu quando foi escravo. Esse samba tem tudo a ver com a situação política do país. ‘Não sou escravo de nenhum senhor’. É praticamente para esse Senhor que é Candidato, que é contra o Presidente Lula, contra o brasileiro, contra o pobre, contra a cultura, contra tudo e todos”, declarou, ao explicar sua interpretação sobre a Disputa Eleitoral.
Questionado sobre as críticas à mistura entre Samba e Política, Pixulé lembrou que a própria história do Gênero Musical está ligada à resistência. O Intérprete citou Tia Ciata, figura fundamental na história do Samba carioca, para explicar como as Rodas de Samba enfrentaram a perseguição e precisaram conquistar espaço na sociedade.
“O samba nasceu em meio à política. O povo era contra, achava que o Samba era proibido. Tia Ciata foi uma negra que veio para o Rio de Janeiro, fundou o Terreiro de Candomblé dela e, da casa dela, surgiu a primeira Roda de Samba. Naquela época, já era perseguido. Ela, malandramente, foi às autoridades para permitir que o Samba acontecesse na casa dela”, afirmou.
Ao concluir, Pixulé reforçou que a resistência faz parte da trajetória do Samba e avaliou que esse papel poderá voltar a ser necessário, dependendo do resultado eleitoral.
“Samba hoje é uma resistência. Se acontecer de o outro ganhar, vai virar resistência de novo. É uma pena”, concluiu.
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