Sétima Escola a Desfilar no Grupo de Acesso II, a Unidos de São Lucas valorizou Compositores nascidos e criados no Bairro em que está sediada pela terceira vez consecutiva. Na Festa Julina da Agremiação, que também teve a Final de Samba-Enredo para o Carnaval 2027, realizada na tradicionalíssima Quadra da Instituição, na Rua Carminha, no Parque São Lucas, Bruno Leite e Ricardinho Olaria sagraram-se Tricampeões de fato e de direito na Instituição. A Canção composta por eles embalará o Desfile de “N’Kodya – O Poder Supremo Africano”, desenvolvido pelo Carnavalesco Danilo Dantas. Sempre presentes em Eventos importantes para as Escolas de Samba paulistanas.
Com Sambas elogiados há anos, a Unidos de São Lucas deu, pela terceira vez consecutiva, a oportunidade para que dois Compositores nascidos e criados a poucas ruas da Quadra da Escola vencessem a eliminatória interna da Instituição. Apesar disso, cada uma das vitórias tem nuances muito distintas, de acordo com Bruno: “Cada ano oferece um desafio diferente através do Enredo que a Escola decide contar. Esse ano, é um tema denso, que nos deu a dificuldade de seguir com a nossa receita: escrever sambas com a identidade do povo, da nossa Comunidade, Sambas leves, Sambas de Grupo de Acesso II. A gente sabe que o Tema mais denso pode te induzir a escrever um Samba-reza, o que, para uma Comunidade de Acesso II, talvez não seja uma boa ideia, já que a gente conhece o canto da Comunidade. A gente partiu para uma linha de Samba mais simples, com linguagem popular, que a Comunidade pudesse aprender fácil e pudesse chegar lá no dia cantando muito”, comentou.
Ricardinho comemorou a sintonia que a canção teve com a Sinopse: “A gente pensou muito na linha de escrita, e na hora que a gente começou a ler a Sinopse e as ideias vieram. A gente conseguiu transportar a ideia do Carnavalesco, pelo que eu senti”, disse.
Sambistas e amigos
Quando perguntados se o fato da parceria ser formada por apenas duas pessoas é um trunfo, Bruno voltou a destacar que o processo de composição vai mudando conforme o tempo passa: “A nossa receita foi mudando ao longo do tempo. A gente foi mudando a forma de fazer e ajustando para chegar nesse formato que nos trouxe o tricampeonato aqui na São Lucas. Mas, para além disso, o que a gente tem de diferente na Parceria é que nós somos amigos pessoais: a gente está sempre junto, para além do Samba. A gente compõe Samba de meio de ano, eu sempre estou na casa dele, ele sempre está na minha casa e o Samba é um complemento dessa relação”, contou.
Curiosamente, os dois Compositores têm trechos prediletos diferentes. Bruno começou explicando: “A saída do Samba é diferente! Vem pedindo licença para a mãe África, vem incentivando a Comunidade: ‘Sob as bênçãos da Mãe África, vai São Lucas’, que é uma abordagem diferente do começo do Enredo. Ao invés de fazer uma referência à África, a gente está pedindo licença a ela para contar essa história densa que é esse Enredo”, afirmou.
A capacidade de transformar a dor em algo mais suave foi comemorada por Ricardinho: “Eu gosto bastante do Refrão do meio, porque é um tema triste e a gente teve uma solução bem leve para ele”, disse.
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