O gás da Disputa de Samba-Enredo para os Compositores da Beija-Flor é o Enredo com a cara da azul e branco de Nilópolis, que retrata resistência, reparação histórica, apelo social e Protagonismo feminino. O Presidente Almir Reis e o Diretor de Carnaval Marco Marino comentaram as expectativas.
“Graças a Deus, todos os anos a gente tem tido uma safra muito boa. É difícil os Compositores da Beija-Flor não fazerem Sambas bons. E este ano não vai ser diferente. Vai ser um ano em que eles vão fazer grandes Sambas, até porque a história pede isso. A história da Dona Zeneida é muito bonita, é uma história de guerra, é uma história de resgate, é uma história de luta. Eu tenho certeza de que é a cara da Escola e vão sair grandes Sambas aí”, contou Almir Reis.
“Acho que os Compositores da Beija-Flor têm uma dinâmica deles de melodia, uma cultura de Samba-Enredo que me agrada muito, isso ao longo de tantos anos. E nunca deixaram a Escola na mão. A minha fé é que aconteça novamente o que sempre acontece: grandes Sambas, para a gente escolher o melhor”, completou Marino.
A Disputa de Samba deste ano será mais curta. De acordo com o Diretor de Carnaval, eles terão duas semanas a menos em relação ao ano passado. Ele destacou que essa será a única diferença.
“A única mudança é que a gente vai diminuir um pouco o tempo. Do ano passado para cá, são duas semanas a menos. E a Escolha do Samba vai ser bem antecipada, vai ser no dia 10 de setembro. É só uma Disputa mais curta, o resto continua tudo igual”, contou Marco Marino.

A Ilha de Marajó, no Pará, não é uma novidade para os nilopolitanos, visto que, em 1998, a Agremiação foi Campeã abordando a narrativa do livro “O Mundo Místico dos Caruanas”. A proposta para 2027 é retornar à região, mas com uma abordagem diferente, dando Protagonismo à Dona Zeneida Lima, última Pajé Marajoara.
“A gente vai falar sobre a história da Dona Zeneida, a história de tudo pelo que ela luta, que é a educação, o combate ao preconceito e, principalmente, essa reparação histórica relacionada às mulheres. É uma história muito rica e muito bonita. Não tem nada igual ao ano de 98, é completamente diferente. O lugar é o mesmo, mas a história é outra”, destacou o Presidente Almir Reis.
Marino, por sua vez, destacou a satisfação com o Enredo e com o andamento do Projeto nos Bastidores. “O Enredo já está desenvolvido, as Fantasias estão desenhadas. Eu estou bem satisfeito. A Escola vem forte novamente e a gente vai para a Disputa com o mesmo pensamento de todos os anos, que é buscar o Título respeitando as Escolas Coirmãs”, afirmou Marino.
Para ambos, a identidade da Comunidade nilopolitana precisa estar presente no Samba. O Presidente Almir Reis listou os principais pontos do Enredo que não podem ficar de fora da Obra. “O reconhecimento das mulheres; a preocupação de todos nós com a natureza, pois ela luta demais pela proteção da natureza; a educação, que é outra coisa pela qual ela também luta; e as transgressões pelas quais passamos. Eu acho que os nossos Compositores têm noção de como isso funciona e eles são muito bons nisso. As histórias que a gente já contou até hoje são o espelho da Escola. A Beija-Flor vem lutando por isso há muito tempo: pelo reconhecimento, contra a discriminação, pela educação e pelas transgressões. Está dentro da nossa casa, tudo com o que a gente já está acostumado”, disse Almir Reis.
Já o Diretor de Carnaval, Marco Marino, concluiu defendendo que o sucesso de um Samba surge na liberdade criativa do Compositor. “Eu acho que não pode faltar a característica da Escola. Toda vez que a Beija-Flor escolhe um Samba que tenha a ver com a discografia dela, que tenha a ver com a forma como a Comunidade gosta de defender, sempre dá certo. Eu costumo dizer para os Compositores o seguinte: a gente não tem uma receita de bolo pronta, depende muito do sentimento de cada Compositor, e eles são livres para criar o que acharem melhor. Se eles querem um Samba descritivo, ou se querem um Samba mais poético, ou cronológico, ou com a melodia mais clássica ou mais para frente, acho que isso tem que vir de cada Compositor, e a gente tem que entender cada Obra e escolher a melhor, porque temos uma pluralidade de Obras quando há um Enredo dessa forma. Eu acho que exigir que o Compositor tenha uma linha melódica toda igual restringe muito a criatividade de cada um, e a escola, no final, perde”, completou Marino.
10nota10.com / Redes Sociais / Beija-Flor de Nilópolis – RJ













