Doutor em harmonia de botequim e sobrevivente da era digital.
No Meu Tempo, a Central do Brasil Era Outra
Olha o Zé Folião na área! O editor do site me deu esse quadradinho aqui e avisou: “Zé, o texto não pode ser grande e tem que fazer o povo rir”. Fazer rir é fácil, difícil é fazer meu joelho não estalar quando eu tento acompanhar o passo do mestre-sala na televisão.
Eu ando reparando que o Carnaval de hoje está muito tecnológico. Outro dia me disseram que para entrar no ensaio técnico precisava baixar um tal de “QR Code” no celular. Eu olhei pro aparelho e pensei: “Meu filho, no meu tempo, para entrar no ensaio a gente só precisava de duas coisas: a camisa do bloco e o respeito na porta”. Agora tem que mostrar código de barra. Daqui a pouco vão querer botar chip no couro do pandeiro para contar as batidas por minuto!
A verdade é que nós chegamos ao mundo numa época de ouro e fomos desembarcar justamente nessa era digital. Estamos todos no mesmo barco, tentando entender como é que uma foto vai parar dentro do computador.
Mas quer saber de uma coisa? A tecnologia pode mudar o que quiser, só não muda o arrepio na espinha quando a marcação do surdo ecoa no peito. O celular pode ser de última geração, mas o coração do velho folião ainda bate no ritmo da bateria antiga. A gente pode até se perder na hora de mandar um áudio no WhatsApp, mas se tocar a introdução daquele samba-enredo de mil novecentos e antigamente, a gente canta a letra inteira sem errar uma vírgula.
Estou por aqui a cada quinze dias para falar da nossa festa com a malandragem de sempre. Se o texto sumir da tela, não fui eu, foi a internet que resolveu dar uma volta no botequim.
Até a próxima, e lembrem-se: inteligência mesmo é a do cavaco, que chora e faz a gente sorrir ao mesmo tempo!













