A Viradouro esteve nos HZ Estúdios, em Curicica, no Rio de Janeiro, para a Gravação Oficial do Álbum de Sambas-Enredo do Carnaval 2027. A Obra embalará o Desfile sobre o Enredo “Griô”, desenvolvido pelo Carnavalesco Tarcísio Zanon. Em 2027, a Alvirrubra de Niterói será a Segunda Escola a Desfilar na terça-feira, 9 de fevereiro. O Desfile percorrerá a história dos Griôs, Figuras das Culturas da África Ocidental responsáveis por preservar e transmitir histórias, conhecimentos e tradições por meio da oralidade. A narrativa também estabelece um paralelo com as Escolas de Samba, reconhecidas como espaços de preservação da memória coletiva e de transmissão de saberes entre Gerações.
Compositor histórico da Viradouro, Mocotó celebrou a oportunidade de Gravar mais uma Obra pela Escola de Niterói e afirmou que a emoção permanece a mesma ao longo de sua trajetória.
“Está parecendo que é o Primeiro Samba que eu Gravo. Não parece que já gravei outros. A emoção é a mesma. Não tem diferença alguma. Estou fortíssimo e felicíssimo. Ter mais um Samba e passar na Sapucaí com a Viradouro é uma coisa maravilhosa. Ele vai ressoar da maneira que nasceu. É gostoso. E melhor ainda porque nós temos aquele canário, que é o Wander Pires. E nós, que somos um povo que gosta de cantar, achamos esse Refrão maravilhoso. Além de passar bem, ele descansa. Não força a voz. É um Refrão solto, que você canta várias vezes na mesma tonalidade”, afirmou.

Parceiro na Composição, Paulo César Feital é um preservador da memória da música brasileira. Ele chegou ao Universo dos Sambas-Enredo em 2016, justamente pela Viradouro, com sua Primeira Obra no Gênero. A estreia foi com o enredo “Alabê de Jerusalém”, inspirado na Ópera de Altay Veloso, que Feital dirigia no Canecão. A experiência marcou sua aproximação com a Composição de Smbas-Enredo e contribuiu para o significado que a Agremiação tem em sua trajetória.
“Eu nunca tinha pensado em fazer Samba-Enredo. Eu vim da MPB pura, daquele universo todo. Em 2016, a Viradouro escolheu o Enredo ‘Alabê de Jerusalém’, uma Opereta de Altay Veloso que eu dirigia no Canecão. O Primeiro Samba-Enredo que fiz foi para a Viradouro. Por isso, a Escola tem uma significação muito grande para mim, e esse Samba é de grande importância. Acho que o Carnaval está se tornando uma festa de extrema importância cultural, talvez a mais importante, porque está resgatando ensinamentos da alma brasileira. Para mim, é, primeiro, uma honra e, segundo, um orgulho muito grande estar na Viradouro, assim como na Mocidade. É um orgulho muito grande”, afirmou.
Feital também destacou a Construção Poética da Composição, que apresenta os Griôs e as Griotes e busca transmitir a dimensão emocional da tradição que inspira o Enredo.
“Eu gosto do Samba todo. O Refrão do meio é um absurdo de bonito. O Refrão de Cabeça é muito aguerrido. E a descrição do que é um Griô, do que é uma Griote… Não digo que seja perfeita, mas é muito emocional”, explicou.

Ao projetar a reação do público durante o Desfile, o Compositor apontou o potencial do Refrão do meio para despertar lembranças afetivas, sobretudo pela aproximação com uma ciranda.
“Vai passar de forma emocional, totalmente emocional. Na realidade, o Refrão do meio é uma ciranda. Acho que vai pegar, vai tocar a emoção das pessoas, porque a alma vai voltar à infância, entende? Eu sou apaixonado por esse Refrão. Sou suspeito”, completou.
Mestre Ciça prepara surpresas para a Avenida
Mestre Ciça e a Bateria “Furacão Vermelho e Branco” guardam novidades para o Carnaval 2027. O mestre revelou que o samba foi gravado entre 142 e 143 BPM (batidas por minuto) e que uma das bossas será apresentada somente na Sapucaí. A Obra foi a penúltima a ser escolhida no Grupo Especial, o que deixou pouco tempo para a preparação: a Gravação ocorreu poucos dias depois da decisão.
“Nosso Samba foi escolhido no sábado. Na segunda-feira, descansamos e, na terça-feira, ensaiamos, mas não deu para afinar como deveríamos para a Gravação de hoje. Estou feliz, embora um pouco cansado com essa correria, mas a Viradouro fará um desfile brilhante, com a Bateria afiada. Isso eu garanto!”, declarou.

Alex Fab destaca Preparação e Ancestralidade do Samba
O Diretor de Carnaval Alex Fab explicou que a preparação para a Gravação começou ainda durante a Disputa, quando as três Composições Finalistas foram levadas ao estúdio e testadas na voz de Wander Pires. O trabalho envolveu a Direção Musical, a Bateria e os demais Profissionais responsáveis pela produção.
“Ali, já começamos a entender cada Samba e o caminho que poderíamos seguir com cada um. Quando houve a escolha, acho que o processo ficou um pouco mais maduro. Nesta semana, fizemos dois Ensaios para deixar tudo bem redondinho e chegar a esse resultado, com o qual acredito que todo mundo ficou muito feliz”, contou.
A Gravação também abriu espaço para segmentos que representam a história da Escola e a transmissão de conhecimentos entre Gerações. Além da Rainha do Povo, Bellinha Delfim, a Viradouro levou Integrantes da Velha-Guarda e das Baianas para participar da Produção.

“Seguimos um Padrão que a Gravadora, por meio do Helinho, nos passou, mas também quisemos valorizar e continuar celebrando a nossa Ancestralidade. Por isso, optamos por trazer, além da Rainha, a Velha-Guarda e as Baianas, Segmentos que têm muito a ver com os mais velhos, com o conhecimento e com a Ancestralidade. Escolhemos essa Composição para a base de imagens, com o nosso Primeiro Casal, a Rainha, os Integrantes da Velha-Guarda e as Baianas. Sem contar, é lógico, o Carro de Som, o nosso Coro e a nossa Bateria”, afirmou.
Entre os trechos que mais o emocionam, Alex citou versos que colocam a memória negra como Fundamento da festa e da própria Cultura do Carnaval. O Diretor também ressaltou a importância de ver essa mensagem cantada coletivamente.
“Quando ouvimos o Samba na voz da Comunidade, a partir dos Ensaios, outras partes também vão ganhando vida própria. O Refrão do meio é uma parte de que gostamos muito. Ele nos toca muito, ainda mais nós, que somos de Matriz Africana e lutamos tanto para que a nossa Raça seja, de fato, contemplada e reconhecida como alicerce de todo esse processo. Toda vez que o Samba diz que é Arquivo da Memória Preta e a gente grita isso na festividade, não poderia ser diferente: é uma parte que nos toca muito”, concluiu.
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